21 de setembro de 2010

Batterie Magazine nº 7110 {França} + tradução

Tradução:

O grupo de culto dos adolescentes regressa com Humanoid, o seu quarto álbum. A revista Batterie olhou para o fenómeno Tokio Hotel juntamente com o baterista Gustav, nos bastidores do Palais Omnisport em Bercy.

Depois dos Scorpions e dos Rammstein, o fenómeno rock mais impressionante que saiu da Alemanha, são os Tokio Hotel. As eficientes e melodiosas músicas pop da jovem banda (que atrai, desde o lançamento do seu primeiro álbum Schrei, jovens com uma idade média de 15 anos) abordam temas como o amor, a morte, o suicídio, divórcio e até a vida depois da morte, que têm grande repercussão junto dos adolescentes. É simples, as inscrições nas aulas de alemão nas escolas francesas duplicaram desde o aparecimento do grupo. Os Tokio Hotel, surgem ainda, com um estilo completamente inesperado, criado pelo vocalista Bill Kaulitz, cujos penteados flamejantes fariam com que o cabelo do Robert Smith (The Cure) parecesse uma simples escova, mas ele próprio admite usar coisas fora do normal. Para além disso, quando nos propusemos a fazer uma entrevista com o baterista da jovem banda, fomos assaltados com algumas dúvidas. Será que vamos encontrar mesmo um bom baterista? Estejam certos disso – Gustav é um excelente baterista, e graças ao seu pulso exímio, o fenómeno Tokio Hotel, pode curtir sem problemas.

Batterie: Vocês viveram em palco nestes últimos anos. Sentes que progrediste tocando tanto ao vivo?
Gustav:
Honestamente, penso que sim, pelo menos é o que espero. De acordo com o meu técnico (que trata da bateria e do som), eu progredi bastante. Ele sabe o que diz, uma vez que me vê e ouve a tocar noite após noite. E na verdade, prefiro que lhe perguntem a ele, porque eu sou muito exigente comigo mesmo, e não gosto de me vangloriar.

Batterie: Ficas frustrado pelo facto de muita gente vos considerar falsos, ignorando o vosso talento enquanto músicos?
Gustav:
Sabes, eu penso que também há um bom grupo de pessoas que confia nas nossas capacidades musicais. Eu não gosto que me considerem pretensioso, mas eu começei com as lições de bateria aos quatro anos, e hoje, estou a um nível muito bom. E porque não dizê-lo? Eu prefiro não contar com as pessoas que acham que eu não presto.

Batterie: E já agora, porque é que escolheste a bateria?
Gustav:
Eu sempre me senti atraído pela bateria. Eu penso que é mesmo o instrumento ideal para mim, eu era um miúdo revoltado, do tipo frustrado. Finalmente, eu descobri que a beleza deste instrumento reside no contraste. Podes bater-lhe com toda a força, ou pelo contrário, tocar de forma suave. Sim, admito que eu também gostaria de tentar a guitarra, que também é fixe, mas depois de uma hora desisto logo (risos)

Batterie: Tens músicos na tua família?
Gustav:
Nenhum! O meu pai tinha uma guitarra e ele costumava tocar-me a introdução da Smoke on The Water, mas o coitado não sabia mesmo mais nada. Eu sou o único músico da casa.

Batterie: Aprendeste a tocar sozinho?
Gustav:
Na verdade, eu tive algumas lições numa escola de música, mas eu sempre gostei de aprender alguns truques enquanto tocava. Mas eu quero sublinhar, que aprendi alguns truques com os meus professores, mas pronto, a teoria e o básico do ritmo não são  muito entusiasmantes quando se é um jovem.

Batterie: Sabemos que Lars Ulrich é um dos teus ídolos. Já tiveste a oportunidade de estar com ele?
Gustav:
Sim, já pude conhecer o Lars na Alemanha, durante a tour dos Metallica e eu estava bastante eufórico. Foi de loucos conhecer este tipo que foi responsável por muitos dos meus sonhos. Eu adoro o estilo do Lars. É uma grande base e ele produz uma quantidade enorme de energia quando toca. Eu gosto, em particular, das músicas mais pesadas dos Metallica como: Enter Sandman ou Sad But True. Neste momento, eu sinto-me sempre muito bem quando toco uma dessas músicas cheias de barulho.

Batterie: Gostarias de tocar num grupo mais agressivo do que os Tokio Hotel?
Gustav:
Daqui a uns anos, porque não! Mas eu sinto-me completo enquanto baterista dos Tokio Hotel. Eu coloco todo o meu amor, e tudo aquilo que tenho nas nossas músicas, e revejo-me a 100% nas nossas músicas.

Batterie: Para além do Lars, que outros bateristas admiras?
Gustav:
Eu penso que o Danny Carey dos Tool é…como se diz…ele é tão talentoso que não há palavras para descrever o estilo dele. Para além dele, Jerry Gaskill, o baterista da banda King’s X é fantástico…recomendo-o.

Batterie: Na Humanoid Tour o teu equipamento é instalado numa plataforma. Como te sentes lá no alto?
Gustav:
Eu sinto-me muito dominante, e eu adoro! (risos). Mas agora a sério, no início era um bocado instável. Quando começámos os ensaios com a plataforma, os cilindros hidráulicos era activados, e eu tinha a sensação de estar a tocar no elevador. Demorou um bom tempo a ajustá-la, mas agora, eu divirto-me imenso.

Batterie: Não te sentes isolado dos outros?
Gustav:
Não, e admito que, gosto de estar em palco e de ficar no meu pequeno mundo. E os outros têm inveja porque eu posso fazer isso. Eu posso bater com muita força na bateria, e ninguém me vem chatear. E também se queixam, porque eu posso estar sempre sentado, enquanto eles têm de estar em pé o tempo todo que dura o concerto e têm de andar de um lado para o outro. Talvez eles ignorem o porquê de eu ter de estar sentado (risos)

Batterie: Que séries da Meinl usas de momento?
Gustav:
Todos os meus pratos, na minha actual bateria, são da série MB20. Tenho um charley de 15′ e três crashes (18′, 19′ e 20′) um chinoise de 20′ e um ride de 22′. Eu escolho-os porque eles emitem um som cheio e quente. Da mesma forma que, em estúdio, apesar de continuarem a ser todos da mesma família, por vezes opto por diâmetros diferentes.

Batterie: Desafiaste-te a ti mesmo durante a gravação do Humanoid?
Gustav:
Sabes, o grupo ficou fechado dentro de um estúdio aproximadamente um ano, por isso sim, inevitavelmente, todos experimentámos coisas novas. Pessoalmente, eu começei a explorar as possibilidades que as baterias electrónicas têm a oferecer, e começei a trabalhar com a programação e com a elaboração de batidas.

Batterie: Tens uma boa relação musical com Georg Listing, o baixista da banda?
Gustav:
Ainda há pouco eu tinha dito que em palco eu gosto de estar no meu pequeno mundo. O Georg é o único que eu deixo entrar na minha bolha, e em palco, ele é o meu melhor amigo. Estamos ligados e colados um ao outro.

Batterie: Porque é que não participas em eventos de percussão, como o Meinl Festival?
Gustav:
Pára já aí! Eu ia sentir-me um amador entre todos aqueles músicos soberbos. Eu, eu sou um baterista de uma banda. A minha área é criar ritmos simples e eficientes. Eu sentir-me-ia muito desconfortável tendo de improvisar em palco, sozinho.

Batterie: Ficámos em choque quando soubémos que tinhas sido atacado e atingido com uma garrafa o ano passado. Ficas-te com alguma sequela no rescaldo do incidente?
Gustav:
Não, está tudo bem, e obrigado por se preocuparem com a minha saúde. Analisando à distância, eu guardo uma lição desse incidente, penso que se não tivesse acontecido comigo, o tipo teria atacado outra pessoa. E para além disso, tive muita sorte por ele me ter acertado na cabeça, e não nos olhos.

Batterie: O que fazes quando estás sozinho em casa?
Gustav:
Boa pergunta! Acabei de renovar a minha licença de pesca, e uma vez que a banda vai regressar à Alemanha por uns dias, eu vou pescar um pouco. A minha vida com a banda é tão louca e rápida, que fico muito agradecido por me poder sentar junto à água e apreciar o silêncio e a natureza.

Batterie: Juntando o tempo e o sucesso, ficas com a impressão que os Tokio Hotel se transformaram num emprego?
Gustav:
Não, porque eu, pessoalmente, tento não me deixar afectar pelo lado superficial da fama. Adoro tocar em frente a milhares de pessoas, mas mesmo que houvessem apenas 50 pessoas na sala, eu daria tudo na mesma. A música continua, acima de tudo, é uma paixão, e eu não poderia viver sem ela. E mais, a nossa força, vem do facto de sermos amigos. Tocamos juntos há onze anos. Não tenho segredos para estes rapazes, e eles não os têm para mim. Muitas bandas separam-se por causa do sucesso, mas nós não.

Batterie: Parece que o Tom e o Georg são os favoritos das groupies. E tu?
Gustav:
Porquê? Porque eles tocam guitarra e baixo? Pfff…deixa-me rir. E agora deixa-me dizer-te uma coisa: quando estamos em tour, as raparigas estão proibídas dentro do autocarro. Eu, depois do concerto, estou completamente exausto. A única coisa que quero é comer em paz e beber uma boa cerveja. Depois disso, vou directo para a cama!

Batterie: Para terminar, tens uma mensagem para os nossos leitores?
Gustav:
Rock n’ Roll e venham ver-nos actuar.

Caixa cinzenta:
Uma personalidade fogosa
Gustav nasceu em Magdeburgo, na RDA, um ano antes da queda do Muro de Berlim. De acordo com os outros membros dos Tokio Hotel, Gustav é um pouco hiperactivo. Sempre em movimento, ele canaliza a sua energia para a bateria e para o desporto. Mais alegre, ele dá entusiasmo e carisma à banda. Segundo ele, ele permanece o mesmo apesar da fama e do dinheiro. Com uma natureza muito simples, ele diz muitas vezes: “Eu não quero saber o que os outros pensam de mim. E além disso, eu recomendo a todos que façam o mesmo.”


Tradução:
THZone

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