18 de fevereiro de 2011

Canal ARTE "Durch die Nacht mit..." (07.12.2010) > Tradução - Parte 3


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Tradução:

Bill: O Tom e eu participámos num filme quando tínhamos 6 anos.

Joop: Não.

Bill: E chamava-se “Verruckt… Verrückt nach dir”. Foi muito mau, desprezível.

Joop: Que tipo de filme era?

Bill: Hmm… eles… eles andavam à procura de gémeos e foi assim que fizemos parte dele. Fomos muito imprudentes em fazê-lo, mas como éramos gémeos preferiram-nos assim… fomos para lá e fizemos a nossa cena… Foi uma cena mesmo muito pequena. E nós tínhamos de fazer chichi nas nossas calças. E nessa idade, que não queríamos fazer nada daquilo. Nós estávamos muito contentes por estarmos secos, claro. E depois de algum modo…

Joop: Que idade tinham?

Bill: 6. E depois…

Joop: Já ninguém faz chichi na cama com 6 anos.

Bill: Não. Mas estava orgulhoso de ser um grande rapaz, certo?

Joop: Sim.


Bill: E foi tudo muito estranho… A actriz foi maquilhada e vestida para ter este estilo. Ela estava muito mal, com uma franja e isso. Quando a viu, o Tom disse que nunca faria um filme com uma actriz tão feia, então viu que ela estava na casa de banho e trancou-a lá e deitou a chave fora para que ela não conseguisse sair de lá.

(Excerto do filme)

Bill: Sentámo-nos lá e dissemos: “Nós não vamos continuar a representar enquanto não nos derem qualquer coisa para comer”.

Joop: É o que iremos fazer agora mesmo.

Bill: É o que vamos fazer agora. Foi por isso que pensei nisto.

Joop: Oh sim, estamos agora mesmo a caminho do nosso destino (Palais).

Bill: Estamos?

Joop: hmm… Josephine de Beauharnais, certo? Era esse o nome dela, certo? Não me façam de parvo. E essa foi a 1ª mulher de… Napoleão, não era?

Motorista: Sim.

Joop: Era?

(ao telefone): A 1ª ou a 2ª. Não tenho a certeza.

Joop: Ela foi a 1ª ou a 2º? Josephine de Beauharnais.

Motorista: 2 ou 3 minutos…

Joop: Não estou a falar de minutos. Estou a falar da 1ª ou 2ª mulher.

Joop: Ninguém me poderia ter dito que o meu cabelo parecia uma m****? Tenho de dizer que os quartos aqui combinam bem contigo.

Bill: Combinam, não é?

Joop: Sim, estes quartos combinam muito bem.

Bill: Sim, até estou a ponderar mudar-me para aqui e não para Los Angeles.

Joop: A minha tia Ulla tem um igual. A sério é verdade.

Bill: É?

Joop: Florentine tem-no agora. É também de Paris do Chateau Malmaison.

Bill: Sim…

Joop: Este estilo é denominado: “Empire”, que significa “o império”. O embaixador, virá agora aqui. Será que devemos esperar por ele deitados? Poderia fazer isso.

Embaixador: Senhor Joop, seja bem vindo.

Joop: Muito, muito obrigado…

Embaixador: Bem vindo ao Palais Beauharnais.

Joop:… por me ter permitido entrar no seu refúgio.

Embaixador: Boa tarde! Bill Kaulitz, certo?

Bill: Olá, boa tarde!

Embaixador: Conhecem isto aqui?

Joop: Hmm… Eu conheço da…

Embaixador: Tempos antigos.

Joop:… minha cidade natal. Este tipo de estilo…. Tudo na Orangery ao lado do Palace Sansouci (em Postdam)… Cresci lá ao perto. Também com algum estilo Napoleónico, na Prússia. Mas a minha tia Ulla sempre lhe chamou: “ Ewald-esque Style”, porque era assim que ela tinha reconhecimento dele.

Embaixador: É incrível que tu… Há apenas algumas pessoas, na actualidade que conhecem este estilo, mas na verdade tu tens uma afinidade próxima. Aqui neste quarto… Eu devo mostrar-lhes isto. Já viram isto, não já? Esta cama?

Bill: Exactamente. É esta a cama, não é?

Joop: Certo, é esta a cama da tia Ulla.

Embaixador: É… Isto aqui… Posso dizer-vos que há pessoas a voar da América, só para ver esta cama e as duas estantes no piso de baixo, na biblioteca. Os americanos têm uma grande paixão pelo “Estilo Napoleónico”, como eles lhe chamam. E ali, queria mostrar-vos. O que é que vêem no espelho?

Joop: Um buraco feito por uma bala.

Embaixador: Certo.

Joop: Quem o fez?

Embaixador: Está escrito que temos de preservá-lo.

Bill: Preservem.

Joop: Quem é que estava a disparar?

Embaixador: A lenda diz que foi um disparo do exterior, no Tuileries Palace durante a revolta da comunidade parisiense, fez ricochete e foi parar ali.

Bill: Mas sim… Acho que era interessante preservarem-no.

Embaixador: Este quarto está mergulhado em lendas. Era suposto um fantasma assombrar o quarto. O amante da rainha…

Bill: Neste quarto?

Embaixador: Sim sim. Um dos meus antecessores escreveu sobre isto uma vez.

Joop: Bem , temos de ir embora. Queremos agradecer-lhe pela sua disponibilidade para nos receber.

Embaixador: Irão visitar a cidade de Paris pela noite fora?

Joop: Sim. Amanhã de manhã teremos… Iremos ao Palais de Tokyo.

Embaixador: Já ouvi falar. Ou melhor, eu recebi o vosso convite. Muito, muito obrigado.

Joop: Oh, sim.

Embaixador: De qualquer modo, amanhã de manhã  tenho a inauguração de um centro informativo alemão com…

Joop: Escolha uma gravata cedo, ok?

Embaixador: Sim, Sim. Sim, claro.

Joop: Nós fizemos isso antes das 7 da manhã. Temos de ir.

Embaixador: Sim, muito bem.

Bill: Gostaríamos de lhe agradecer.

Joop: Há quem queira apresentar uma imagem que foi criada por outro. Tu também queres levar a cabo o papel que criaste. Por vezes é fácil, hmm… por exemplo vou falar de um filme… Também dentro do papel… que alguém, hmm… to deu para representar. É muito mais fácil do que representar o nosso próprio papel, porque um dia…

Bill:… representar o teu próprio. Sim. E continuar a cumpri-lo em cada dia.

Joop: Sim, e acima de tudo, um dia irás realizar-te e este papel não estará mais presente. Tu… Tu deverias mudar para um género diferente, há já muito tempo. Mas… qual? Sabes? E, e para ser honesto. Eu sei que não posso representar o Joop com 90 anos. E… hmm… não sei… Claro, que preferia… Quer dizer, estou a fazer isto agora porque estamos aqui. Tornei-me muito tímido à frente das câmaras.

Bill: Sim.

Joop: Isso é porque eu já não gosto de ver a minha imagem imprimida num papel ou no ecrã.

Bill: … nunca mais gostou disso. Sim.

Joop: Isto porque o que está cá dentro é diferente do que as pessoas vêem. Há 20 anos atrás eu usava um estilo completamente diferente e penso que nunca mais voltarei a usá-lo. Sabes, isto irá eventualmente acontecer. Irá acontecer. Este capítulo irá chegar. Sabes?

Bill: Acredito, acredito. Sim, sim.

Joop: Isto porque, especialmente por causa da tua… o teu estilo fica-te muito bem, sabias? Todo o estilo, mesmo tudo, mas algum dia… melhor dizendo, tu já fizeste várias mudanças no teu cabelo… Isto já é alguma coisa. Mas, chegará o dia em que mudar o penteado não irá ser suficiente.

Bill: … Não será suficiente, não.

Joop: No meu caso, eu dei por isso por causa do meu sorriso. No passado, cada foto em minha casa chocava-me, por causa deste sorriso ensaiado. E eu perguntava: “Como é que alcançaste tanto sucesso? Como é que fizeste fortuna?” Cinicamente, dizia muitas vezes: “Eu sorri até chegar ao cimo das escadas”. Mas no caso de todos estes sorrisos, eu fiz algo, que não queria que fosse real, nunca mais.

Bill: Sim.

Joop: E nos meus olhos via-se tristeza, sabes? São os olhos e o olhar com que podes dizer que já viste demais. Consegues ver isso só num olhar.

Bill: Eu compreendo. Compreendo tudo o que estás a dizer. É exactamente assim. Há também… Há dias em que, simplesmente não consigo fazê-lo e depois eu também quero… Depois só me quero sentar e pensar, e, e, e… Odeio quando concordo em fazê-lo e fico preso nisso. Tenho de fazê-lo agora e depois há dias em que não… sinto e não consigo fazê-lo. E depois penso “Bem, e agora, os olhos negros… o cabelo” e hoje é como se não me sentisse capaz de fazer isto.

Joop: Isso ajuda um pouco, não é? Os olhos negros… sim, sim.

Bill: Sim, sim, por vezes ajuda, mas tu continuas a não conseguir abri-los por baixo de toda esta maquilhagem. Depois olhas… para a foto… E depois pareço… “Oh meu, merda! Agora estás…”. E é nestas altura que tens de parar de reparar nisto. No início estava sempre a fazê-lo, o que me levava à loucura.

Joop: Não, eu nunca fiz isso.

Bill: Porque depois tu… Porque no início eu tenho… Eu nunca olho para os meus vídeos… num filme… nunca. No início reparava sempre nestas coisas e depois… Tens de ter cuidado com isto e parares, porque se reparas nisso todos os dias, irás.. Tu, tu próprio… É como se fosse um segredo em que começas a pensar “Mas uma vez eu ouvi falar disto…” e de algum modo tu queres agradar a alguém outra vez e na maioria das vezes queres agradar a ti próprio, porque começas a pensar “Oh, mas isto não fica bem assim.”

Joop: Bem, tu és a terceira pessoa, a terceira pessoa.

Bill: Certo. Depois começas a olhar para ti exteriormente, a toda a hora.

Joop: Pobre Marlene Dietrich. Eu pensei nisto porque estamos perto do apartamento dela… ela acabou por passar décadas na cama a olhar para as suas fotografias antigas e vídeos e a tomar notas sobre eles: “cabelo despenteado”, “iluminação de merda”

Bill: Oh, que estupidez.

Joop: Como… “Ela… Como é que ela está a andar? Com o que é que ela se parece ali?”

Bill: Sim.

Joop: Percebes? Ela basicamente estava a assombrar-se a ela própria com isto.

Bill: Sim. Sim.

Bill: Penso que a L’Uomo Vogue irá ser publicada a 1 de Outubro.

Joop: Quem era o fotógrafo?

Bill: Pierpaolo Ferrari. Um fotógrafo fantástico. Foi fantástico.

Joop: Também fui fotografado para 10 páginas da Vogue por Francois Lami nos anos 70. Foi tipo, uma demonstração dos anos 70. Jerry Hall, Iman…

Bill: Sim.

Joop:… a mulher do Bowie.

Bill: Sim, adorava ter visto o Bowie ao vivo.

Joop: Eu conheço um pouco a Iman.

Bill: A sério?

Joop: Nunca o conheci, mas a Iman. Trabalhei muito com ela em Hamburgo. É uma senhora muito interessante. Muito inteligente. A mulher mais inteligente que conheço. Ela já fez de tudo, mesmo tudo. Ela teve… Nos anos 80, ela teve um acidente de carro com um táxi. Processou-o em 5 milhões. Naquela época era muito. Ela fê-lo para, reconstruir tudo. Peito, cara, tudo.

Bill: Bowie foi… “O Labirinto” foi o meu… tipo de filme que na minha infância eu sempre… Eu sei de cor. Eu adorei este filme.

Joop: Para mim, Bowie, foi como… Berlim antes do Muro… Tipo o Oeste de Berlim… No “Konrad-Adenauer-Platz”, houve… Penso que é chamada “Konrad”, uma discoteca com este nome. Todos os que lá iam, eram todos punk, rosa nas bochechas, maquilhagem… Basicamente como é agora, já tinha sido assim antes. No meio… 1983, 1984… Mas eram todos bêbados, drogados, fumadores.

Bill: Sim.

Joop: Hoje em dia todos os excessos aparecem na Internet. Pornografia nos telemóveis. Encontras todo o tipo de coisas sinistras. Quer dizer, soa sempre tão tolo quando as pessoas de mais idade dizem, tipo, é tudo mau hoje em dia. No entanto, eu penso que…

Bill: Não mesmo. De maneira nenhuma.

Joop:…penso que toda esta treta da Internet é muito má.

Bill: Ora, eu tenho crescido com isso e eu também penso…penso que é tão mau. Ou seja, certamente abre imensas possibilidades…mas também traz coisas muito más.

Joop: Sim.

Bill: Se uma pessoa pudesse apenas…Se eu pudesse carregar num botão…pudesse carregar num botão e livrar-me da Internet neste momento, para todos nós, eu não pensaria duas vezes. Tu fazes alguma coisa e vai logo parar na Internet um minuto depois e depois corre o mundo todo.

Joop: Sim.

Bill: E todos podem comentar, todos podem julgar, todos podem formar uma opinião sobre isso…e é assim que as coisas ficam arruinadas. É aí que se perde o fascínio e a magia que tu imaginavas quando o fizeste…porque alguém o destrói de imediato e as pessoas deixam por todo o lado os seus comentários e fica poluído.

Joop: Sim, por exemplo esta coisa do Google. Por melhor que isto possa ser, mas…

Bill: Isso também…Mas também toda…o gosto por…

Joop: Sim.

Bill:…pelos produtos também. Pelas revistas, por, por…qualquer outra coisa. Livros, moda, música, cinema…Já não resta quase nada.

Joop: Não.

Bill: Porque tens tudo. Consegues…está apenas a um clique de distância. É…

Joop: Click. Já não temos paciência. Posso dizer, o meu namorado, ele também, cresceu com a Internet.

Bill: Sim.

Joop: Já não tem paciência nenhuma. Ver televisão e olhar para o computador

Bill: Sim… para o computador.

Joop: Ao mesmo tempo.

Bill: O pior é que…

Joop: Andam completamente exaustos.

Bill: E já não há aquela vontade, de ir a algum lado procurar coisas. Por exemplo, quando lanças um CD, e o procuras, certo? Ou no meu caso… É sempre algo que tem um significado quando gravo um CD: a capa com o livrete, a letra que está lá dentro. Eu quero que as pessoas tenham tudo nas suas mãos.

Joop: Sim, é o mesmo com as minhas exposições.

Bill: Exacto. E não fazer o download na Internet. No nosso caso, tínhamos um álbum que era para ser lançado no Outono, e foram para à Internet nove faixas, na Primavera. Não faço a mínima ideia de como lá foram parar. Basicamente poderíamos fazer um álbum outra vez, visto que já haviam 9 faixas na Internet. Isto porque o álbum já não teria o mesmo valor, visto que já tinham sido reveladas 9 faixas, foi um desastre.

Bill: Wow. Está incrível. Não conseguiria fazer isto, nem num milhão de anos.

Bill: Sabes o que gostaria de fazer um dia? Eu pensei, que deveria fazer um documentário, como… durante um dia inteiro teria uma mini camera aqui…

Joop: Sim.

Bill: Para que cada pessoa, pudesse ver a forma como as pessoas me abordam, ou do nosso… do meu ponto de vista, ou de quem seja. Entendes? Gostaria de mostrar um a seguir ao outro rapidamente, e depois… cada um poderia ver, que eles sempre… que todos dizem a mesma coisa e então um dia… fazer as pessoas entender uma série de coisas.

Joop: “Bem, parecias muito bem na televisão.”

Bill: Sim.

Joop: Quantas vezes achas que eu já ouvi isto?

Bill: Sim, ou também, estes…

Joop: “Actualmente tens uma vida muito boa.”

Bill: Ou algo que sempre acontece: “Sim, eles têm… eu tenho… A filha do chefe de um amigo do meu primo, ela gostaria, e eu começo a pensar: “Vá lá dá-me só o pedaço de papel…”

Joop: Não é para eles, não é para eles.

Bill: Não, não é para eles. E depois pergunto: “Então qual é o nome dela?” e depois “hmm, hmm…” Tu sabes. Eu gostaria mesmo muito… que outros entendessem isto um pouco melhor.

Joop: Então o que vamos fazer… urgh, olha, porque é que estes cadeados estão aqui presos? O que é que isto significa?

Bill: Alguém sabe o que isto significa?

Homem: Sim, eles são postos aí com as iniciais ou nomes gravados. Provavelmente pessoas que querem demonstrar o seu amor, ou algo do género.

Joop: Então e agora? Não tens nenhum contigo? Então e nós?

Joop: Aqui ficariam acorrentados a isto. Fica para a próxima.

Bill: Mais uma coisa, já ninguém crava os seus nomes numa árvore.

Joop: Também precisamos da chave do coração, certo? Então um fará isto e saberá sempre onde está, não é?

Bill: É.

Joop: Agora temos de ir para o baile de máscaras. Porque é que nos estão a tirar fotografias?

Bill: Não faço ideia…

Joop: Pertencem à tua equipa ou…

Bill: Não, não! Eles só apareceram agora…

Joop: Eu sei.

Bill: É fantástico estarem sempre stressados, certo? Agora esperam que algum de nós caia. E aqui vou eu, apenas andando.

Joop: Ah, merci, merci! Que tal me fica?

Bill: Bem.

Joop: Ou pareço um palhaço? Será que o devia por em cima? Assim?

Bill: Não, melhor como estava.

Joop: Assim?

Bill: Sim.

Joop: Ou será que não o devia sequer por?

Bill: Talvez… Não tenho a certeza se fica muito bem.

Joop: Não mesmo, não é?

Bill: Eu não o usaria.

Joop: Eu também acho que pareço um palhaço. Iria parecer que estava a fazer um grande esforço para o usar.

Tradução: THZone

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