Tradução:
Bill: O Tom e eu participámos num filme quando tínhamos 6 anos.
Joop: Não.
Bill: E chamava-se “Verruckt… Verrückt nach dir”. Foi muito mau, desprezível.
Joop: Que tipo de filme era?
Bill: Hmm… eles… eles andavam à procura de gémeos e foi assim que fizemos parte dele. Fomos muito imprudentes em fazê-lo, mas como éramos gémeos preferiram-nos assim… fomos para lá e fizemos a nossa cena… Foi uma cena mesmo muito pequena. E nós tínhamos de fazer chichi nas nossas calças. E nessa idade, que não queríamos fazer nada daquilo. Nós estávamos muito contentes por estarmos secos, claro. E depois de algum modo…
Joop: Que idade tinham?
Bill: 6. E depois…
Joop: Já ninguém faz chichi na cama com 6 anos.
Bill: Não. Mas estava orgulhoso de ser um grande rapaz, certo?
Joop: Sim.
Bill: E foi tudo muito estranho… A actriz foi maquilhada e vestida para ter este estilo. Ela estava muito mal, com uma franja e isso. Quando a viu, o Tom disse que nunca faria um filme com uma actriz tão feia, então viu que ela estava na casa de banho e trancou-a lá e deitou a chave fora para que ela não conseguisse sair de lá.
(Excerto do filme)
Bill: Sentámo-nos lá e dissemos: “Nós não vamos continuar a representar enquanto não nos derem qualquer coisa para comer”.
Joop: É o que iremos fazer agora mesmo.
Bill: É o que vamos fazer agora. Foi por isso que pensei nisto.
Joop: Oh sim, estamos agora mesmo a caminho do nosso destino (Palais).
Bill: Estamos?
Joop: hmm… Josephine de Beauharnais, certo? Era esse o nome dela, certo? Não me façam de parvo. E essa foi a 1ª mulher de… Napoleão, não era?
Motorista: Sim.
Joop: Era?
(ao telefone): A 1ª ou a 2ª. Não tenho a certeza.
Joop: Ela foi a 1ª ou a 2º? Josephine de Beauharnais.
Motorista: 2 ou 3 minutos…
Joop: Não estou a falar de minutos. Estou a falar da 1ª ou 2ª mulher.
Joop: Ninguém me poderia ter dito que o meu cabelo parecia uma m****? Tenho de dizer que os quartos aqui combinam bem contigo.
Bill: Combinam, não é?
Joop: Sim, estes quartos combinam muito bem.
Bill: Sim, até estou a ponderar mudar-me para aqui e não para Los Angeles.
Joop: A minha tia Ulla tem um igual. A sério é verdade.
Bill: É?
Joop: Florentine tem-no agora. É também de Paris do Chateau Malmaison.
Bill: Sim…
Joop: Este estilo é denominado: “Empire”, que significa “o império”. O embaixador, virá agora aqui. Será que devemos esperar por ele deitados? Poderia fazer isso.
Embaixador: Senhor Joop, seja bem vindo.
Joop: Muito, muito obrigado…
Embaixador: Bem vindo ao Palais Beauharnais.
Joop:… por me ter permitido entrar no seu refúgio.
Embaixador: Boa tarde! Bill Kaulitz, certo?
Bill: Olá, boa tarde!
Embaixador: Conhecem isto aqui?
Joop: Hmm… Eu conheço da…
Embaixador: Tempos antigos.
Joop:… minha cidade natal. Este tipo de estilo…. Tudo na Orangery ao lado do Palace Sansouci (em Postdam)… Cresci lá ao perto. Também com algum estilo Napoleónico, na Prússia. Mas a minha tia Ulla sempre lhe chamou: “ Ewald-esque Style”, porque era assim que ela tinha reconhecimento dele.
Embaixador: É incrível que tu… Há apenas algumas pessoas, na actualidade que conhecem este estilo, mas na verdade tu tens uma afinidade próxima. Aqui neste quarto… Eu devo mostrar-lhes isto. Já viram isto, não já? Esta cama?
Bill: Exactamente. É esta a cama, não é?
Joop: Certo, é esta a cama da tia Ulla.
Embaixador: É… Isto aqui… Posso dizer-vos que há pessoas a voar da América, só para ver esta cama e as duas estantes no piso de baixo, na biblioteca. Os americanos têm uma grande paixão pelo “Estilo Napoleónico”, como eles lhe chamam. E ali, queria mostrar-vos. O que é que vêem no espelho?
Joop: Um buraco feito por uma bala.
Embaixador: Certo.
Joop: Quem o fez?
Embaixador: Está escrito que temos de preservá-lo.
Bill: Preservem.
Joop: Quem é que estava a disparar?
Embaixador: A lenda diz que foi um disparo do exterior, no Tuileries Palace durante a revolta da comunidade parisiense, fez ricochete e foi parar ali.
Bill: Mas sim… Acho que era interessante preservarem-no.
Embaixador: Este quarto está mergulhado em lendas. Era suposto um fantasma assombrar o quarto. O amante da rainha…
Bill: Neste quarto?
Embaixador: Sim sim. Um dos meus antecessores escreveu sobre isto uma vez.
Joop: Bem , temos de ir embora. Queremos agradecer-lhe pela sua disponibilidade para nos receber.
Embaixador: Irão visitar a cidade de Paris pela noite fora?
Joop: Sim. Amanhã de manhã teremos… Iremos ao Palais de Tokyo.
Embaixador: Já ouvi falar. Ou melhor, eu recebi o vosso convite. Muito, muito obrigado.
Joop: Oh, sim.
Embaixador: De qualquer modo, amanhã de manhã tenho a inauguração de um centro informativo alemão com…
Joop: Escolha uma gravata cedo, ok?
Embaixador: Sim, Sim. Sim, claro.
Joop: Nós fizemos isso antes das 7 da manhã. Temos de ir.
Embaixador: Sim, muito bem.
Bill: Gostaríamos de lhe agradecer.
Joop: Há quem queira apresentar uma imagem que foi criada por outro. Tu também queres levar a cabo o papel que criaste. Por vezes é fácil, hmm… por exemplo vou falar de um filme… Também dentro do papel… que alguém, hmm… to deu para representar. É muito mais fácil do que representar o nosso próprio papel, porque um dia…
Bill:… representar o teu próprio. Sim. E continuar a cumpri-lo em cada dia.
Joop: Sim, e acima de tudo, um dia irás realizar-te e este papel não estará mais presente. Tu… Tu deverias mudar para um género diferente, há já muito tempo. Mas… qual? Sabes? E, e para ser honesto. Eu sei que não posso representar o Joop com 90 anos. E… hmm… não sei… Claro, que preferia… Quer dizer, estou a fazer isto agora porque estamos aqui. Tornei-me muito tímido à frente das câmaras.
Bill: Sim.
Joop: Isso é porque eu já não gosto de ver a minha imagem imprimida num papel ou no ecrã.
Bill: … nunca mais gostou disso. Sim.
Joop: Isto porque o que está cá dentro é diferente do que as pessoas vêem. Há 20 anos atrás eu usava um estilo completamente diferente e penso que nunca mais voltarei a usá-lo. Sabes, isto irá eventualmente acontecer. Irá acontecer. Este capítulo irá chegar. Sabes?
Bill: Acredito, acredito. Sim, sim.
Joop: Isto porque, especialmente por causa da tua… o teu estilo fica-te muito bem, sabias? Todo o estilo, mesmo tudo, mas algum dia… melhor dizendo, tu já fizeste várias mudanças no teu cabelo… Isto já é alguma coisa. Mas, chegará o dia em que mudar o penteado não irá ser suficiente.
Bill: … Não será suficiente, não.
Joop: No meu caso, eu dei por isso por causa do meu sorriso. No passado, cada foto em minha casa chocava-me, por causa deste sorriso ensaiado. E eu perguntava: “Como é que alcançaste tanto sucesso? Como é que fizeste fortuna?” Cinicamente, dizia muitas vezes: “Eu sorri até chegar ao cimo das escadas”. Mas no caso de todos estes sorrisos, eu fiz algo, que não queria que fosse real, nunca mais.
Bill: Sim.
Joop: E nos meus olhos via-se tristeza, sabes? São os olhos e o olhar com que podes dizer que já viste demais. Consegues ver isso só num olhar.
Bill: Eu compreendo. Compreendo tudo o que estás a dizer. É exactamente assim. Há também… Há dias em que, simplesmente não consigo fazê-lo e depois eu também quero… Depois só me quero sentar e pensar, e, e, e… Odeio quando concordo em fazê-lo e fico preso nisso. Tenho de fazê-lo agora e depois há dias em que não… sinto e não consigo fazê-lo. E depois penso “Bem, e agora, os olhos negros… o cabelo” e hoje é como se não me sentisse capaz de fazer isto.
Joop: Isso ajuda um pouco, não é? Os olhos negros… sim, sim.
Bill: Sim, sim, por vezes ajuda, mas tu continuas a não conseguir abri-los por baixo de toda esta maquilhagem. Depois olhas… para a foto… E depois pareço… “Oh meu, merda! Agora estás…”. E é nestas altura que tens de parar de reparar nisto. No início estava sempre a fazê-lo, o que me levava à loucura.
Joop: Não, eu nunca fiz isso.
Bill: Porque depois tu… Porque no início eu tenho… Eu nunca olho para os meus vídeos… num filme… nunca. No início reparava sempre nestas coisas e depois… Tens de ter cuidado com isto e parares, porque se reparas nisso todos os dias, irás.. Tu, tu próprio… É como se fosse um segredo em que começas a pensar “Mas uma vez eu ouvi falar disto…” e de algum modo tu queres agradar a alguém outra vez e na maioria das vezes queres agradar a ti próprio, porque começas a pensar “Oh, mas isto não fica bem assim.”
Joop: Bem, tu és a terceira pessoa, a terceira pessoa.
Bill: Certo. Depois começas a olhar para ti exteriormente, a toda a hora.
Joop: Pobre Marlene Dietrich. Eu pensei nisto porque estamos perto do apartamento dela… ela acabou por passar décadas na cama a olhar para as suas fotografias antigas e vídeos e a tomar notas sobre eles: “cabelo despenteado”, “iluminação de merda”
Bill: Oh, que estupidez.
Joop: Como… “Ela… Como é que ela está a andar? Com o que é que ela se parece ali?”
Bill: Sim.
Joop: Percebes? Ela basicamente estava a assombrar-se a ela própria com isto.
Bill: Sim. Sim.
Bill: Penso que a L’Uomo Vogue irá ser publicada a 1 de Outubro.
Joop: Quem era o fotógrafo?
Bill: Pierpaolo Ferrari. Um fotógrafo fantástico. Foi fantástico.
Joop: Também fui fotografado para 10 páginas da Vogue por Francois Lami nos anos 70. Foi tipo, uma demonstração dos anos 70. Jerry Hall, Iman…
Bill: Sim.
Joop:… a mulher do Bowie.
Bill: Sim, adorava ter visto o Bowie ao vivo.
Joop: Eu conheço um pouco a Iman.
Bill: A sério?
Joop: Nunca o conheci, mas a Iman. Trabalhei muito com ela em Hamburgo. É uma senhora muito interessante. Muito inteligente. A mulher mais inteligente que conheço. Ela já fez de tudo, mesmo tudo. Ela teve… Nos anos 80, ela teve um acidente de carro com um táxi. Processou-o em 5 milhões. Naquela época era muito. Ela fê-lo para, reconstruir tudo. Peito, cara, tudo.
Bill: Bowie foi… “O Labirinto” foi o meu… tipo de filme que na minha infância eu sempre… Eu sei de cor. Eu adorei este filme.
Joop: Para mim, Bowie, foi como… Berlim antes do Muro… Tipo o Oeste de Berlim… No “Konrad-Adenauer-Platz”, houve… Penso que é chamada “Konrad”, uma discoteca com este nome. Todos os que lá iam, eram todos punk, rosa nas bochechas, maquilhagem… Basicamente como é agora, já tinha sido assim antes. No meio… 1983, 1984… Mas eram todos bêbados, drogados, fumadores.
Bill: Sim.
Joop: Hoje em dia todos os excessos aparecem na Internet. Pornografia nos telemóveis. Encontras todo o tipo de coisas sinistras. Quer dizer, soa sempre tão tolo quando as pessoas de mais idade dizem, tipo, é tudo mau hoje em dia. No entanto, eu penso que…
Bill: Não mesmo. De maneira nenhuma.
Joop:…penso que toda esta treta da Internet é muito má.
Bill: Ora, eu tenho crescido com isso e eu também penso…penso que é tão mau. Ou seja, certamente abre imensas possibilidades…mas também traz coisas muito más.
Joop: Sim.
Bill: Se uma pessoa pudesse apenas…Se eu pudesse carregar num botão…pudesse carregar num botão e livrar-me da Internet neste momento, para todos nós, eu não pensaria duas vezes. Tu fazes alguma coisa e vai logo parar na Internet um minuto depois e depois corre o mundo todo.
Joop: Sim.
Bill: E todos podem comentar, todos podem julgar, todos podem formar uma opinião sobre isso…e é assim que as coisas ficam arruinadas. É aí que se perde o fascínio e a magia que tu imaginavas quando o fizeste…porque alguém o destrói de imediato e as pessoas deixam por todo o lado os seus comentários e fica poluído.
Joop: Sim, por exemplo esta coisa do Google. Por melhor que isto possa ser, mas…
Bill: Isso também…Mas também toda…o gosto por…
Joop: Sim.
Bill:…pelos produtos também. Pelas revistas, por, por…qualquer outra coisa. Livros, moda, música, cinema…Já não resta quase nada.
Joop: Não.
Bill: Porque tens tudo. Consegues…está apenas a um clique de distância. É…
Joop: Click. Já não temos paciência. Posso dizer, o meu namorado, ele também, cresceu com a Internet.
Bill: Sim.
Joop: Já não tem paciência nenhuma. Ver televisão e olhar para o computador
Bill: Sim… para o computador.
Joop: Ao mesmo tempo.
Bill: O pior é que…
Joop: Andam completamente exaustos.
Bill: E já não há aquela vontade, de ir a algum lado procurar coisas. Por exemplo, quando lanças um CD, e o procuras, certo? Ou no meu caso… É sempre algo que tem um significado quando gravo um CD: a capa com o livrete, a letra que está lá dentro. Eu quero que as pessoas tenham tudo nas suas mãos.
Joop: Sim, é o mesmo com as minhas exposições.
Bill: Exacto. E não fazer o download na Internet. No nosso caso, tínhamos um álbum que era para ser lançado no Outono, e foram para à Internet nove faixas, na Primavera. Não faço a mínima ideia de como lá foram parar. Basicamente poderíamos fazer um álbum outra vez, visto que já haviam 9 faixas na Internet. Isto porque o álbum já não teria o mesmo valor, visto que já tinham sido reveladas 9 faixas, foi um desastre.
Bill: Wow. Está incrível. Não conseguiria fazer isto, nem num milhão de anos.
Bill: Sabes o que gostaria de fazer um dia? Eu pensei, que deveria fazer um documentário, como… durante um dia inteiro teria uma mini camera aqui…
Joop: Sim.
Bill: Para que cada pessoa, pudesse ver a forma como as pessoas me abordam, ou do nosso… do meu ponto de vista, ou de quem seja. Entendes? Gostaria de mostrar um a seguir ao outro rapidamente, e depois… cada um poderia ver, que eles sempre… que todos dizem a mesma coisa e então um dia… fazer as pessoas entender uma série de coisas.
Joop: “Bem, parecias muito bem na televisão.”
Bill: Sim.
Joop: Quantas vezes achas que eu já ouvi isto?
Bill: Sim, ou também, estes…
Joop: “Actualmente tens uma vida muito boa.”
Bill: Ou algo que sempre acontece: “Sim, eles têm… eu tenho… A filha do chefe de um amigo do meu primo, ela gostaria, e eu começo a pensar: “Vá lá dá-me só o pedaço de papel…”
Joop: Não é para eles, não é para eles.
Bill: Não, não é para eles. E depois pergunto: “Então qual é o nome dela?” e depois “hmm, hmm…” Tu sabes. Eu gostaria mesmo muito… que outros entendessem isto um pouco melhor.
Joop: Então o que vamos fazer… urgh, olha, porque é que estes cadeados estão aqui presos? O que é que isto significa?
Bill: Alguém sabe o que isto significa?
Homem: Sim, eles são postos aí com as iniciais ou nomes gravados. Provavelmente pessoas que querem demonstrar o seu amor, ou algo do género.
Joop: Então e agora? Não tens nenhum contigo? Então e nós?
Joop: Aqui ficariam acorrentados a isto. Fica para a próxima.
Bill: Mais uma coisa, já ninguém crava os seus nomes numa árvore.
Joop: Também precisamos da chave do coração, certo? Então um fará isto e saberá sempre onde está, não é?
Bill: É.
Joop: Agora temos de ir para o baile de máscaras. Porque é que nos estão a tirar fotografias?
Bill: Não faço ideia…
Joop: Pertencem à tua equipa ou…
Bill: Não, não! Eles só apareceram agora…
Joop: Eu sei.
Bill: É fantástico estarem sempre stressados, certo? Agora esperam que algum de nós caia. E aqui vou eu, apenas andando.
Joop: Ah, merci, merci! Que tal me fica?
Bill: Bem.
Joop: Ou pareço um palhaço? Será que o devia por em cima? Assim?
Bill: Não, melhor como estava.
Joop: Assim?
Bill: Sim.
Joop: Ou será que não o devia sequer por?
Bill: Talvez… Não tenho a certeza se fica muito bem.
Joop: Não mesmo, não é?
Bill: Eu não o usaria.
Joop: Eu também acho que pareço um palhaço. Iria parecer que estava a fazer um grande esforço para o usar.
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