16 de janeiro de 2011

Canal ARTE "Durch die Nacht mit..." (07.12.2010) > Tradução - Parte 2



Bill: O que eu acho incrível é que tu… Não estás nada nervoso agora…

Damian: Gosto do teu anel.

Bill: … como alguém que vai ser filmado agora mesmo. Eu diria: “Despachem-se”.

Joop: Bem , para ser honesto, não irá ser gravado na integra. Quer dizer, tu pensas… na tua idade.

Bill: Não, não claro. Mas fazes isto todos os dias.

Joop: O desfile? Pergunta-lhe, pergunta-lhe como sou com a colecção.

Bill: Pergunto…

Joop: Ele veio até aqui. Trabalhamos nisto juntos.


Bill: Ok.

Joop: E…

Damian: E é muito bom, é uma boa colecção e nós temos ideias parecidas sobre o que deve figurar nela. Porque tudo o que eu imagino está aqui.

Joop: Eu poderia deixar tudo  nas mãos dele, porque estou farto. Acabei o meu trabalho. Estou cansado. Venho de Munique, tive uma grande exposição de arte. Agora não estou mais no planeta da moda mas sim no planeta da arte. Eu parei. Desenhei anjos. Um anjo negro tal como tu foste. Eu faço anjos brancos e negros

Damian: Os anjos estão espectaculares.

Joop: Desde os 10 anos faço esculturas em mármore. Vou da moda à arte, para a frente e para trás… Agora quero-me despachar. A vida é pequena, sabes? Faço anos em Novembro. É o pior momento do ano, o mais negro. De qualquer maneira tenho de me despachar, sabes focar-me nisto. Acho que eles querem que vaia-mos agora à Torre Eiffel.

Bill: O quê? Têm havido alarmes terroristas, não têm? Não fui avisado de nada.

Joop: Sim, tem. Foi por esta razão que esta tarde eu tinha dito que não podíamos ir lá acima. E também tinha esperança que lá não quisesses ir.

Bill: Oh que pena, eu queria mesmo lá ir. Eu já há algum estou…

Joop: Sim, mas agora temos de lá ir.

Bill: Eu nunca lá estive.

Joop: Temos de ir buscar os nossos passaportes agora.

Bill: Já estive em Paris muitas vezes, mas ainda não tive a oportunidade de lá ir.

Joop: A última vez que subi à Torre Eiffel tinha 12 anos. Tens o passaporte contigo?

Bill: Hmm… Eu acho que o dei a alguém, sim?

Joop: Senão irão pensar que és uma terrorista. Era suposto ser uma mulher a deitar a Torre Eiffel pelo ares.

Bill: Ok.

Joop: Provavelmente porque tem inveja daquele pénis, penso eu.

Bill: Provavelmente.

Bill: Mudei-me para Hamburgo com 15 anos.

Joop: Sim? Não sabia disso.

Bill: Sim. Mudei-ma para lá porque para mim… Bem, foi… Sair daquela pequena aldeia era o que mais queria. Eu não queria acabar lá a escola, queria sair de lá o mais depressa possível, até porque quem trabalhava connosco não vivia lá e nós queríamos lançar o single (Durch den Monsun) o mais rapidamente possível, nas férias do Verão e…

Joop: Então não andaste na escola em Hamburgo?

Bill: Não, depois disso não voltei à escola. Sai de lá com 15 anos, porque já não conseguia conciliar e a distância também não ajudava. Eu acabei a escola “à distância”.

Joop: Foi? E quais são as tuas classificações agora? O 9º ano?

Bill: o 12º ano.

Joop: Ok.

Bill: E basicamente… eu andei à procura de uma Universidade, mas só até ao 10º ano, pois logo a seguir sai de lá. Quando as férias do Verão terminaram, tentámos outra vez, mas não resultou, como era de esperar. Claro, era impossível. Era muita pressão em todo o lado. E o director chegou ao pé de nós e disse: “Muito bem. Temos de arranjar uma solução. Vocês têm de abandonar a escola imediatamente.” E claro, peguei nas minhas coisas e vim-me embora. Depois então, mudámo-nos  para Hamburgo. E, hmm… sim. O Tom e eu temos 4 cães e…

Joop: A sério? De que raça?

Bill: Temos um “German Shorthair Pointer”, um que é uma mistura de “Doberman” e “Labrador” e dois “Dachshunds”. Todos eles tiveram um passado não muito feliz. Salvámo-los a todos. Quer dizer, hmm, o primeiro veio de um abrigo de animais, mas acabamos por lá voltar e trazer os outros três também. Ao princípio não os queríamos, mas decidimos trazê-los, porque senão iriam acabar como…

Joop: Eu trouxe de Nova Iorque uma cadela, Dálmata.

Bill: Ok.

Joop:… ela tinha um dono. Chamava-se Gretchen (a cadela). E o seu antigo dono seguiu-nos até à Alemanha e queria-me tirar a cadela.

Bill: Sim.

Joop: Foi também a primeira vez que tomei conta de um cão alternativo, um “Rodigan Ridgeback”.

Bill: Oh! Eles são amorosos, adoro-os!

Joop: E agora tenho o Lottchen e a Gretchen. O Lottchen é “Rodigan Ridgeback”. Eu partilho a minha cama com ambos.

Bill: São fantásticos. Adoro esses cães!

Joop: Eu tenho… Eu acho que não dormi o suficiente nos últimos meses.

Bill: Sim.

Joop: Porque o “Ridgeback” faz tipo assim.
Bill: Como isto. E deitam-se.

Joop: E voltam-se. Às vezes acorda-me de noite e eu penso: “Mexe-te outra vez”, mas ele não se mexe. Então dou a volta à cama e deito-me do outro lado.

Bill: Sim.

Joop: E a Gretchen depois estende-se no meio da cama.

Joop: Sabes com quem partilhei a passerelle?

Bill: Não.

Joop: Com a Grace Jones.

Bill: Wow.

Joop: Ela passou à minha frente com se tivesse com saltos. Antes tinha feito a colecção para Christian Aujard… E ele só disse: “Também irás desfilar na passerelle”. Jerry Hall e eu, como um casal, ambos altos, loiros e Grace Jones passa à nossa frente com os seus sal… em bicos dos pés. Eu disse: “Grace, desce daí.” Ela: “Sabes uma coisa? Não vou. Vou voltar como cantora!” E eu: “Sim, claro, bela personagem, esta mulher, sim.” Quando voltei a Paris, “La vie en Rose”. A sério. Testemunhei esta parte da historia Pop.

Bill: Wow

Joop: Voltei a encontrá-la recentemente em Monte Carlo.

Bill: Infelizmente não sei nada sobre isso.

Joop: E depois ela disse-me: “Não fales comigo. O meu marido é turco e é muito bonito, sabes?”

Bill: Urgh, parece que estamos em Hamburgo.

Joop: Sinto-me como se tivesse num filme francês, hmm, “Vague Nouvelle”. Eu sou… Tu és Alain Dolon e eu Romy Schneider.

Bill: Eu adoro estas, hmm, este tipo de torres onde te põem no topo e tu cais em direcção ao chão.

Joop: Como, como bungee jumping?

Bill: Ou, ou pára-quedismo! Oh, eu fiz isso recentemente…

Joop: Já saltaste?

Bill: Sim, à pouco tempo, à cerca de 2 meses. Foi um sonho! Foi incrível!

Joop: Sim, a adrenalina, a adrenalina.

Bill: Além ao fundo foi onde nós actuamos. Mesmo lá do outro lado, hmm… Nas férias nacionais. Foi em 2007, penso eu.

Joop: Nessa altura já todos os adolescentes estavam a aprender alemão aqui, não era?

Bill: e estavam aqui 500.000 pessoas. Foi incrível, incrível. Acho que foi a 1ª vez que não conseguia ver o fim da multidão. É verdade…

Joop: Como é que isto te faz sentir actualmente?

Bill: Bom, actualmente não faz muita diferença.

Joop: Todos conseguem ver isto.

Bill: Tenho de dizer que para mim não faz muita diferença se forem 30.000 ou só 30 ou 70. Quer dizer… não vês nada. A única coisa que vês são pequenos pontos.

Bill: Eu sou extremamente nervoso. Depois do que disseste…

Joop: O quê? Achas que não ficaria nervoso?

Bill: No início disseste que não ficavas nervoso.

Joop: Não, eu… Não sei, eu penso que é mais fisicamente…

Bill: Sim.

Joop: Porque começo logo a ouvir mal ou a ficar com frio…

Bill: Sim.

Joop: Só me apetecia ter ficado na cama.

Bill: Sim, sim é como eu

Joop: E não me levantar.

Bill: Ok, eu sou mais tipo… passo-me completamente. Eu enervo-me facilmente, principalmente antes dos concertos e nada me acalma. Em digressão quando andamos na estrada por 3 meses, supostamente deveria ficar um pouco mais relaxado, mas… Sou bastante perfeccionista. Especialmente quando um digressão começa e damos o primeiro concerto…

Joop: Isso pode revelar-se no teu estado mental, sabes?

Bill: Eu tenho de ver tudo até ao mais pequeno pormenor. Se algo corre mal no início do concerto, então está tudo estragado. Claro que não dou a entender a ninguém e depois nos bastidores fico sozinho. Tudo o resto poderia ter corrido bem, mas se há alguma coisa que corre de maneira diferente da que imaginei… é irritante.

Joop: Eu penso…

Bill: O meu problema é que não consigo confiar totalmente nas outras pessoas e se…

Joop: Qual é o teu singo?

Bill: Virgem

Joop: Oh sim. Estive casado com uma Virgem e sei perfeitamente como é. Tenho de te dizer que se não conseguires dominar o teu perfeccionismo vais cair no desespero e não vais conseguir fazer nada.

Bill: Eu penso que às vezes é um pouco demais.

Joop: Isso pode acabar com uma pessoa, sim.

Bill: Até agora na maioria das vezes tem sido algo doentio. Isto porque eu e Tom somos ambos assim. Somos os dois muito…

Joop: Um Virgem é pior que uma Virgem.

Bill: Sim somos os dois Virgem e depois, claro, enlouquecemo-nos um ao outro. Passamos o tempo todo a discutir. É horrível porque não conseguimos relaxar quando estamos juntos. Mesmo quando viajámos até às Maldivas, era como se tivéssemos em Hamburgo ao mesmo tempo, porque eu não deixe que faça uma pausa.

Joop: Mas tens de aprender que…

Bill: Eu sei.

Joop: Assim vais ficando cada vez mais esgotado.

Bill: Para mim é como…

Joop: É o que estou a fazer agora. Estou a fazer uma pausa.

Bill: Sim.

Joop: Estou a deixar tudo nas mãos dos Damian e como que a dizer: “Faz o que quiseres”. Não quero voltar a ver aquilo à minha frente, senão iria dar em doido.

Bill: É isso mesmo que tenho de aprender, porque não consigo fazê-lo.

Joop: Ele (Damian) só trabalha comigo à meio ano…

Bill: Não consigo deixar nada nas mãos de outra pessoa.

Joop: Estou a tentar à meio ano, lutando todas as semanas.

Bill: Sim.

Joop: Eu não consigo pegar naquilo que está no papel para a realidade.

Bill: Sim.

Joop: São passos completamente diferentes, logo diferentes pessoas terão de o fazer. Não posso coser, cortar e não conseguiria fazer nada disto se não tivesse a Sarah, conheces?

Bill: Sim, sim.

Joop: Não preciso de ter música, champanhe ou drogas para fazer isto, mas sim uma mente limpa. Estar sóbrio.

Bill: A questão é que vivemos num mundo em que temos de encontrar as pessoas certas. Eu tenho de ver tudo, a capa do álbum, os artigos de mershandise… Odeio quando algo não passa pela minha secretária, nem que seja um e-mail.

Joop: Sim, passa-se o mesmo comigo. Achas que daria um sapato a qualquer pessoa?

Bill: Não.

Joop: Ou um brinco? Ou um cinto? Se não há cinto, então não lhe ponham outro que não seja meu. Tudo tem de ser meu, tenho de ser eu a coordenar, a criar… Mas não sou eu que visto as raparigas. Depois disso não lhes volto a tocar.

Bill: Ok.

Joop: Nunca me irás ver a dar um vestido a uma modelo.

Bill: Sim, é talvez uma boa solução.

Joop: Não darei nenhum nó de gravata.

Bill: Sim.

Joop: Continuo com a minha teoria.

Bill: Ok.

Joop: Estou a afastar-me disto.

Bill: Sim.

Joop: Senão, acho que ficaria maluco.

Bill: Sim, tenho de dizer que eu…

Joop: Tens de dizer a ti próprio: “Chega, agora fazem os outros.”.

Bill: Eu não consigo, se faço isso uma vez depois começo a pensar: “Vamos lá isto é um pormenor sem importância. Vou dizer a alguém para o fazer por mim.” E depois corre tudo mal e eu penso: “Isto é uma m**** total porque é meu, e…”

Joop: Mas tu és o único a ver as coisas dessa forma.

Bill: Sim, sim, eu sei.

Joop: És só tu que vês isso. Devo dizer-te uma coisa. Quando vou ver o DVD depois do desfile.

Bill: Sim, sim.

Joop: Ou, sim o DVD, só vejo o cordão que ficou mal apertado.

Bill: Sim.

Joop: As luzes que deviam estar ligadas e não estavam.

Bill: Exactamente.

Joop: E isso deixa-me fora de mim. “Já não volto a fazer isto” digo para mim.

Bill: Sim, isso é quando eu volto a pensar outra vez: “M**** deveria ter sido eu a fazer aquilo”.

Joop: Sim, sim, mas isso e provável acontecer.

Bill: Sim é provável.

Joop: Temos de viver com isto. Tu primeiro.

Bill: Obrigado.

Joop: Primeiro os bonitos.

Joop: Vamos lá ver se aqui tenho rede. Florentine! Sim, daqui é o papá! O pai está na Torre Eiffel. Já mostrei os gémeos ao Bill. (ouvindo a filha) Iremos fazer a próxima colecção juntos, certo? O Bill vai até Los Angeles, não é?

Bill: Certo.

Joop: Mas eu estava a pensar em fazer uma pausa agora. (ouvindo a filha) Ou então faremos uma colecção para crianças, contigo. (ouvindo a filha) Sim , para os gémeos. Diz olá aos bebés. Adeus querida. Adeus. Sim. Adeus.

Bill: Que idade têm os gémeos?

Joop: Nasceram em Maio.

Bill: Ah ok.

Joop: Em Maio sim. Ela ficou muito feliz.

Bill: Que idade tem ela?

Joop: Muito mais velha que tu. 10 anos mais velha que tu.

Bill: Ok.

Joop: Eu tive o meu primeiro filho com a minha segunda mulher, tinha 22 anos.

Bill: Oh, a sério?

Joop: Sim, sim e não trabalhava, não fazia nada.

Bill: Oh, eu não consigo… Não conseguiria imaginar isso agora. A minha mãe foi mãe ainda jovem. Teve-nos com 20 anos.

Jopp: Sim.

Bill: Sim.

Joop: Mas para ela deve ter sido bom. Depois é tudo uma questão de tempo.

Bill: Sim, sim.

Joop: Eu também já entrei num filme.

Bill: A sério?

Joop: Em cinco filmes.

Bill: Num ou mais?

Joop: Em cinco.

Bill: Em cinco?

Joop: Um deles chamava-se “Suck my D*ck”. Eu fiz de psiquiatra noutro.

Bill: Oh sim, já ouvi falar desse.

Joop: Sim, Sim.

(excerto do filme)

Joop: Depois disso arranjei um agente porque recebi muitas ofertas para outros filmes, mas não voltei a fazer mais nenhum.

Bill: Então não foi divertido?

Joop: Não. Michael Caine tinha razão quando disse: “Eles pagam para esperarmos, representar é de graça.”

Bill: Sim.

Joop: Como isto: “Desculpe temos um problema técnico. Pode aprender uma nova fala rapidamente?” E uma vez quando saí às 7 da manhã, uma das figurantes tinha devorado todo o serviço de catering.

Bill: Eu já me imaginei a fazer um filme.

Joop: Uma vez é divertido.

Bill: Se aparecer algo que seja adequado a mim… É para sair aqui, certo?

Joop: É também uma exigência corporal.

Bill: Ok, o que sucedeu em “Suck my D*ck”!

Joop: Não, não era sobre isso.

Bill: Ok.

Joop: Ele pensou que seria divertido.

Tradução: THZone

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